Seja um aliado.

A Helping Hand, de TheBoyofCheese @deviantArt

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Lembrete amigo: esse texto fala das MINHAS experiências e da MINHA percepção. Não sou psicóloga nem dona da verdade. Não o leve como verdade universal.

Uma das coisas que as pessoas me perguntam bastante através da página do blog é: “tenho uma pessoa próxima com problema x. Como eu faço pra ajudar?”

Eu nunca sei direito como responder essa pergunta, porque respeito e entendo muito a individualidade. Eu demorei anos pra aprender a pedir ajuda. Quando estamos chegando perto do precipício, é extremamente difícil assumir que precisamos de uma mão amiga. Primeiro porque é comum pensarmos que é besteira, que é uma fase, que logo passa. Segundo, porque tem sempre aquele babaca que fala todas as coisas erradas, que não nos compreende – e nem tentam. Existe o medo de ser julgado, ostracizado. Poucas coisas nessa vida são piores do que ter a coragem de se abrir e receber nada além de palavras rudes e falta de compreensão.

Digamos que a pessoa realmente se abra e conte o que está acontecendo. A primeira coisa que você tem que fazer é escutar o que a pessoa te fala. Observar o comportamento. Respeitar os sentimentos da pessoa – eles são totalmente válidos. Não tente encher a pessoa de conselhos óbvios.

Não é fácil lidar com pessoas assim. Eu sei. Mas dá pra tentar. Dá pra tentar mudar, dá pra tentar medir as palavras, dá pra tentar entender o caso da pessoa. Principalmente se a pessoa explica de maneira clara sobre o que faz mal para ela, o que serve de gatilho para crises. Por exemplo: se eu chego para você e digo que pessoas gritando me perturbam, o que você pode fazer por mim? Evitar gritar comigo. Sabe, certos comportamentos são simples de mudar. Não é preciso saber física quântica. Existem coisas pequenas que você pode fazer pela pessoa querida que podem ajudar demais a sua convivência. Tente entender a necessidade da sua pessoa querida. Nem sempre a gente precisa de mil conselhos, de mil palavras inspiradoras. Às vezes, a gente só precisa saber que tem alguém torcendo pela gente. Que alguém nos quer bem. Que alguém está disposto para nos escutar. Que podemos confiar em alguém, que se preocupam.

Seja depressão, seja borderline, seja transtorno alimentar, seja síndrome do pânico… São batalhas diárias. Todos nós temos algo dentro do nosso coração que diz que não somos bons o suficiente, que somos imprestáveis e inúteis, que a vida não vale a pena. Você, pessoa próxima, não deve ser mais uma voz contra nós. Tente estar junto – mesmo quando isso significa respeitar certas decisões, respeitar nosso espaço. É necessário paciência e calma? Sim. Como eu disse no parágrafo anterior, não é fácil lidar com pessoas que sofrem de coisas que não entendemos ou não vivenciamos. Mas se você gosta da pessoa – nem que seja 5% – você verá que é fácil ajudar, nem que seja nas coisas pequenas. Eu digo isso por experiência própria – eu já sobrevivi inúmeras vezes por contas de ajudas pequenas, aquela palavrinha simples que me ajudou a ser forte só por mais uma noite.

Pesquise em fontes confiáveis sobre o que a pessoa passa. É depressão? Pesquise sobre isso. Escute relatos. Leia experiências. Tudo isso pode te ajudar a entender o que estamos vivendo, sem que necessariamente a gente se abra. Reitero o que disse: não é tarefa fácil se abrir e falar sobre os próprios sentimentos. Existem momentos extremamente confusos que nem a gente entende o que está acontecendo. Tudo acontece como uma onda que nos leva até o fundo do mar, e às vezes estamos incapazes de nadar. Precisamos saber que se nadarmos até a praia, teremos alguém nos esperando. Eu tenho muita sorte de ter amigos e conhecidos maravilhosos. Eles são minhas pessoas na praia. E eu não consigo colocar em palavras o quanto eu sou grata por cada palavra, por cada gesto. Eu não esqueço essa ajuda.

Existe um livro chamado The Art of Comforting e ele tem dicas extremamente úteis. Traduzi e adaptei alguns exemplos de páginas que estão nesse post do tumblr para você ver que é fácil ter um pouco mais de compreensão.

ajuda

Para 2015, seja um aliado. Tente compreender, escute o que falamos. Esteja lá para nos ajudar. Palavras e ações machucam muito, e com coisas pequenas você consegue sim deixar nossa vida um pouco mais fácil.

Seja um aliado e não mais um algoz.

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Um comentário sobre “Seja um aliado.

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