É preciso ter calma.

"Eu estarei melhor amanhã!"

“Eu estarei melhor amanhã!”

Se tem uma coisa que eu aprendi nesses anos é que pedir ajuda é mais difícil do que sofrer sozinha. Teoricamente, não deveria ser assim, mas é.

Uma pergunta que me fazem sempre é: se eu estava tão mal durante minha adolescência, por que eu não contei a ninguém? Por que eu me mantive quieta e sem apontar o que eu realmente sentia?

A resposta é fácil e completamente compreensível: quando você se abre e conta os seus problemas, as pessoas te julgam. Te entendem errado. Diminuem o seu problema. Não fazem esforço para entender. Culpam qualquer outra fonte externa ao invés de tentar compreender o que está acontecendo.

E nunca mais te olham da mesma forma. Você se torna “o problema”, “a problemática”, “a insuportável”, a “pessoa que veio no mundo pra arruinar a nossa vida”. A desumanização toma conta desse relacionamento, e você é vista pelos problemas que você tem, ao invés da pessoa que você realmente é. Escrevi extensivamente sobre isso no post “Eu não sou a minha depressão”, então vale a pena a leitura.

Ok. Digamos que você assumiu que as coisas não estão bem e que você não está conseguindo cumprir as tarefas básicas do seu dia-a-dia. As pessoas do seu lado apoiam a sua iniciativa de procurar ajuda – seja com terapia ou com tratamento psiquiátrico.

Esse primeiro passo é sempre assustador. Ir numa sessão de terapia pela primeira vez pode ser bem confuso – e não é todo mundo que se sente bem o suficiente para continuar. Aí vai de cada um, e longe de mim julgar. Cada pessoa tem a sua necessidade.

Tá. Dei o primeiro passo. E agora?

Uma coisa que eu aprendi da pior maneira possível é que problemas que envolvem nossa mente não são resolvidos de um dia pra outro. É preciso ter calma. Sim, eu sei que todos nós queremos nos ver livres daquilo o mais rápido possível, mas infelizmente não funciona assim. Quanto mais cedo você perceber isso, mais tranquilas as coisas serão. Nem Roma nem a Beyoncé foram construídos em sete dias. Cada dia é feito de vitórias, recaídas, fracassos, leves melhoras…

Só porque em um dia você teve uma recaída ou um desequilíbrio, isso não significa que as suas vitórias são inválidas. Por exemplo, todo mundo que tem depressão sabe como é difícil levantar da cama e ser minimamente produtivo. Parabéns por isso! Se parabenize pelas melhoras, não importa o quão pequenas elas sejam.

Mas se em um dia você não conseguiu levantar da cama, lembre-se que esse é um processo que talvez leve a vida inteira para ficar estável. Lidar com uma doença mental pode ser muito desgastante. Devemos lembrar também que existem inúmeros fatores que podem melhorar ou não nosso estado! Nem sempre tudo parte da gente. Uma situação mais complicada no trabalho, na família ou com seus amigos pode ser a diferença entre estar bem e estar mal, entre o equilíbrio e a recaída.

Sim, eu sei que é muito difícil entender todas essas coisas quando a gente está mal. Eu sei. Eu passo por isso todo dia. Não escrevo esse post para fingir que eu sou A Iluminada, mas também é um lembrete pra mim mesma. Qualquer momento de recaída – principalmente com a minha compulsão alimentar – é o suficiente para achar que estou fracassando e que minha terapia e os remédios e todo o resto não funcionam mais. Entretanto, as coisas não funcionam assim. UM dia de desequilíbrio comparado a meses e anos de compulsão já mostram uma melhora absurda. O fato de eu me sentir incomodada com isso e perceber que é um comportamento que precisa mudar já mostra que estamos mais atentos à nós mesmos. Já sabemos onde temos que melhorar, onde temos que ficar mais fortes.

Uma recaída pode ser o primeiro passo para deixar tudo pior? Sim, pode. Mas também é a oportunidade perfeita para ficarmos mais fortes, para entendermos coisas novas. Lidar com uma doença mental é um exercício de autoreflexão contínuo. Tem dia que vai ser melhor, tem dia que vai ser pior. O que não adianta é acharmos que todos os dias ruins apagam os dias bons.

É preciso ter calma. É preciso ter muita fé em nós mesmos, na nossa capacidade, mesmo quando parece que não temos nenhuma qualidade. E não são coisas que se enraizam em nós de um dia para o outro, então vale a pena tentar. Nem que seja só por hoje.

A gente cai duzentas vezes, mas a gente se levanta duzentas e duas. É clichê, mas não deixa de ser verdade. Sempre levantamos mais do que caímos.

Nunca se esqueça dos dias bons. Não se esqueça daquela pessoa que sorriu para você, não se esqueça daquela pessoa que se ofereceu para te ouvir, não se esqueça dos elogios que você já recebeu, não se esqueça das suas vitórias.

"

“Porque até milagres demoram um pouquinho.’

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