O Início

Finalmente comecei mais um projeto meu: o Falando Sobre Saúde Mental. Primeiramente, eu gostaria de explicar um pouco quem sou e a razão desse projeto existir.

A partir dos onze/doze anos, uma série de acontecimentos na minha vida me fizeram ter contato com a depressão. Eu, que sempre fui uma garota animada e extrovertida, tinha me tornado tímida, quieta e triste. O que começou como uma ‘mudança da adolescência’ se tornou algo mais profundo e preocupante. Claro que no começo eu mal imaginava que isso poderia ser depressão. Mas temos uma tendência a procurar as coisas depois que a merda já foi pro ventilador. Passei anos sem procurar ajuda de nenhum tipo, porque eu e meus pais acreditávamos que era uma fase, que era culpa do bullying, culpa da minha personalidade ruim, culpa de tudo. Minha adolescência foi um período horrível, não conseguia fazer amigos, mal saía de casa, me cortar tinha se tornado hábito… e eu não conseguia me expressar sobre isso. Principalmente cercada de inúmeras pessoas que não entendiam esse problema e não eram informadas o suficiente. Que achavam que era uma maneira de chamar a atenção. Que eu era naturalmente ruim, preguiçosa, imprestável. Quantas pessoas com problemas psicólogicos já não escutaram isso de seus pais, professores, colegas de escola/trabalho, namorados?

E é aí que está o problema. Se o mundo levasse mais a sério problemas mentais – dos mais leves aos mais sérios, talvez minha adolescência tivesse sido mais leve. Milhões de vidas seriam poupadas se tivéssemos mais consciência de que uma mente que está com problemas para funcionar precisa de tanto tratamento quanto um pé quebrado. Se você está com um pé enfaixado, não consegue praticar esportes nem andar. Se sua mente não está funcionando com saúde como deveria, você não consegue viver direito.

Quando me refiro a tratamento, não quero dizer ‘entupa qualquer adolescente com uma pancada de remédios a torto e a direito’. Existem inúmeros tipos de terapia que podem te ajudar e te colocar num caminho melhor. Novamente dando o meu exemplo: minha psicóloga foi crucial para a minha melhora, bem antes da minha psiquiatra. Claro que somos indivíduos diferentes e talvez a sua solução seja outra, mas procure ajuda.

Aí é que entra o “x” da questão: muitas pessoas tem receio de procurar ajuda porque acham que ‘psicólogo é coisa de gente louca e eu não sou louco’, ‘eu é que não vou tomar remédio pra cabeça’, ‘tudo isso é frescura’, ‘isso vai passar sozinho’, ‘nada disso funciona’, ‘é gastar dinheiro à toa’. Conheço inúmeras famílias que se recusaram a prover tratamento para quem precisava por julgarem desnecessário. Por julgarem que era falta de ‘trabalho/estudo/deus/namoro’. Por ainda terem vários preconceitos relacionados à saúde mental.

Esse tipo de preconceito está na cabeça até de quem está sofrendo com alguma doença. E isso pode ser a diferença entre a vida e a morte. Não estou sendo dramática. Ter o apoio da família e dos amigos é essencial na hora de procurar e manter um tratamento. Saber que levam o que você tem a sério é muito importante. E para isso, precisamos acabar de vez com o preconceito e com a frivolidade com a qual as pessoas tratam as doenças mentais. Como fazer isso? ESPALHANDO INFORMAÇÃO. Enfiando na cabeça das pessoas que cuidar da saúde mental não é frescura, é ESSENCIAL E SALVA VIDAS.

Por isso criei esse blog e tenho muitas expectativas com ele. Quero que ele não seja apenas um blog. Quero que ele seja um centro de informações e um centro de ajuda para quem sofre com alguma doença mental, quero estreitar os laços entre os profissionais da saúde e os pacientes, quero elaborar com vocês ações e petições para deixarmos tudo isso mais acessível a quem não tem condições de pagar. Como vou fazer isso? Honestamente, não sei ainda. Mas eu tenho esses objetivos muito claros na minha cabeça, e sei que com a voz de todos conseeguiremos fazer isso acontecer.

Para isso, eu quero vocês. Quero relatos, vivências, vozes diferentes. Afinal de contas, a minha voz ainda é privilegiada por inúmeras questões, e seria egoísta falar apenas de mim. Quero o que vocês viveram. Quero psicólogos e psiquiatras confiáveis enviando artigos didáticos, textos importantes sobre psicofobia e doenças mentais, quero vocês contando sobre o que passaram e as dificuldades que enfrentam. Quero construir isso coletivamente, para espalhar informação e esclarecer o máximo de pessoas que pudermos. Para enviar o seu relato, mande uma mensagem para nossa página no Facebook ou envie um email para fsaudemental@gmail.com. Caso você deseje, o seu anonimato está garantido.

E pra começar ajudando, uma amiga queridíssima minha precisa de ajuda para custear o seu tratamento. Ela está desempregada no momento e todos sabemos que os custos podem ser altíssimos. Contribua com o quanto puder aqui e compartilhe com os seus amigos! Em momentos de necessidade é que devemos nos juntar e ajudar uns aos outros. Afinal de contas, esse é o objetivo do blog: ajudar e esclarecer.

Então bora fazer isso acontecer? Bora! ❤

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2 comentários sobre “O Início

  1. Fiquei tão feliz por ter encontrado este blog hoje! A necessidade de falar sobre o assunto é gritante, e de fato, os transtornos mentais ainda são tratados como frescura ou falta do que fazer. Mas o mais irônico de tudo é que, certo dia, conversando com um amigo que por sinal é médico, ele confessou que nos dias atuais a própria medicina, chegando ao ápice de suas respostas para as mais diversas doenças, percebe que aquela pulga atrás da orelha, aquelas perguntas que fazem as respostas escapar estão todas no âmbito psicológico. Não há pra onde correr; a mente controla tu-do. Parabéns pelo blog, vou compartilhar o máximo possível! Serei uma das suas leitoras mais frequentes! haha

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